O Renascimento Cultural


Prof.º Leonardo Castro

Primeiro grande movimento cultural burguês dos tempos modernos, o Renascimento enfatizava uma cultura laica (não-eclesiástica), racional e científica. Entretanto, embora tentasse sepultar os valores medievais, sobretudos os teocêntricos, apresentou um entrelaçamento dos novos e antigos valores.


Buscando subsídios na cultura greco-romana, o Renascimento foi a eclosão de manifestações artísticas, literárias, filosóficas e científicas do novo mundo urbano e burguês. Tendo inicio no século XV em Florença, a Renascença, se estendeu a Roma e Veneza e, a partir de 1500, ao resto da Europa.


Os seus elementos principais foram a redescoberta da arte e da literatura clássica da Grécia e de Roma, o estudo científico do corpo humano e do mundo natural. O renascimento foi um movimento anticlerical e antiescolástico, pois a cultura leiga e humanística opunha-se à cultura religiosa medieval.


Assim, a partir do século XV encontramos paralelamente ao interesse pela civilização clássica, um menosprezo pela Idade Média, associada a expressões como “barbarismo”, “ignorância”, “escuridão”, “noite de mil anos” ou “sombrio”, em suma, era a “era das trevas”.


Inspirando-se, sobretudo, na Antiguidade Clássica, seu elemento principal foi o humanismo. A expressão humanismo refere-se genericamente a uma série de valores e ideais relacionados à celebração do ser humano. O Humanismo levou a concepção do homem como o centro do universo (isto é, o antropocentrismo), o humano ocupando o lugar central até então dominado pelo divino e o extraterreno.


O antropocentrismo (do grego άνθρωπος, “anthropos”, “humano”; e κέντρον, “kentron”, “centro”) é uma concepção que considera que a humanidade deve permanecer no centro do entendimento dos humanos, isto é, o universo deve ser avaliado de acordo com a sua relação com o homem.


É comum na historiografia qualificar como antropocêntrica a cultura renascentista e moderna, em contraposição ao suposto teocentrismo da Idade Média. A transição da cultura medieval à moderna é frequentemente vista como a passagem de uma perspectiva filosófica e cultural centrada em Deus a uma outra, centrada no homem.


O homem, na visão humanista renascentista, é visto como empreendedor e capaz, como inventivo e observador, um ser integral que sabe e pode fruir as delícias do mundo e usar o seu corpo, muito diverso do homem medieval, submisso, crédulo, temeroso e ascético. Daí o predomínio da vida ativa e especulativa renascentista sobre a vida contemplativa medieval. Mas as idéias religiosas importantes para o homem medieval, como salvação, redenção, pecado original, não desaparecem, apenas deixam de ser primordiais.


Começaram também a sobressair valores modernos, burgueses, como o otimismo, o individualismo, o hedonismo, o racionalismo, o naturalismo e o neoplatonismo.

Otimismo se caracteriza por ser uma forma de pensamento. É sinônimo de pensamento positivo. No Renascimento ele significa poder fazer tudo sem nenhuma restrição e abertura ao novo.

Individualismo é um conceito político, moral e social que exprime a afirmação e liberdade do indivíduo, especialmente diante à sociedade e ao Estado. No Renascimento, colocava-se como antítese do coletivismo da sociedade feudal medieval. Expressava-se nas obras nos destaques em personagens individuais.

Hedonismo (do grego “hēdonē” que significa prazer) é uma teoria ou doutrina filosófico-moral que afirma ser o prazer individual e imediato o supremo bem da vida humana. Surgiu na Grécia, na época pós-socrática, e um dos maiores defensores da doutrina foi Aristipo de Cirene.

Racionalismo é uma corrente filosófica que iniciou com a definição do raciocínio que é a operação mental, discursiva e lógica. O Renascimento defendia a razão como fonte de todo o conhecimento humano. Rompia-se com a supremacia da teologia medieval e com a sujeição do homem à fé.

Naturalismo está centrado na observação e representação fiel da realidade e na experiência.

Neoplatonismo foi uma corrente de pensamento iniciada no século III que se baseava nos ensinamentos de Platão e dos platônicos. O neoplatonismo foi revivido na renascença italiana por figuras como Marsílio Ficino, os Medici e Sandro Botticelli.



A Arte Renascentista

As transformações socioeconômicas do final da Idade Média, associadas ao processo de urbanização e ascensão da burguesia, tornaram as concepções artístico-literárias feudais inadequadas.


Redescoberto o mar Mediterrâneo, com as Cruzadas, as cidades italianas de Florença, Veneza, Roma e Milão transformaram-se em grandes centros de desenvolvimento, condições necessárias para o surgimento do Renascimento. Além disso, surgiram na Itália os mecenas, ricos patrocinadores das artes e das ciências, como os Médici, em Florença, e os Sforza, em Milão.


A Pintura renascentista surge na Itália durante o século XV inserida, de um modo geral, no Renascimento. Esta pintura funda um espírito novo, forjado de ideais novos e em novas forças criadoras. Desenvolve-se nas cidades italianas de Roma, Nápoles, Mântua, Ferrara e, sobretudo, em Florença e Veneza (principais centros que possuíam, entre os séculos XV e XVI, condições económicas, políticas, sociais e culturais propícias ao desenvolvimento das artes como a pintura).


As raízes das artes renascentistas resgatam a cultura greco-romana, mas apresenta comumente uma temática mista, onde alguns autores buscam elementos na Antiguidade Clássica (tomadas a partir da cultura e mitologia grega e romana, e dos vestígios quer arquitectónicos quer escultóricos existentes na península itálica) e outros na Idade Média (captadas em sentido evolutivo e sobretudo da obra de Giotto que teve na sua arte do século XIII, o pronúncio dos princípios orientadores da pintura do Renascimento).


No campo artístico, a Renascença promoveu inovações técnicas para representar a realidade. Com novas descobertas artísticas (perspectiva, luz e sombra, o óleo sobre tela), além de outros elementos como o estudo da anatomia, os artistas evoluíram na arte de pintar retratos, paisagens, motivos mitológicos e religiosos. Os grandes destaques da pintura foram Leonardo da Vinci, Michelangelo, Rafael e Sandro Botticelli, na Itália, Jan van Eyck, na Holanda, El Greco, Grécia e Espanha, e Albert Dürer, na Alemanha.



Os princípios artisticos orientadores das obras renascentistas são:
  • um espaço cênico, agora suportado por princípios matemáticos e pela perspectiva linear científica;
  • a representação realista da Natureza, animais e especialmente do Homem;
  • grande naturalidade e realismo anatómicos.


Nos elementos estéticos incluem-se:
  • equilíbrio e a harmonia dados pelo rigor científico. Era comum as figuras serem representadas segundo esquemas geométricos, como o esquema em pirâmide, para transmitirem maior harmonia;
  • realismo representação da realidade tal como a observam, valorização da personalidade retratada.


Alessandro di Mariano Filipepi, mais conhecido como Sandro Botticelli foi um pintor italiano do começo do Renascimento. Dedicou boa parte da carreira às grandes famílias florentinas, especialmente a Família Médici, para os quais pintou quadros e retratos.


O Nascimento de Vénus, de Sandro Botticelli, 1485. Galeria Uffizi, Florença, Itália.



Recebendo a influência do neoplatonismo cristão, passou a pintar quadros de temática clássica ou pagã, como nas suas obras A Primavera e O Nascimento de Vênus, encomendadas para uma residência dos Médici.

Botticelli também pintou quadros de temática religiosa, como A Virgem Escrevendo (1485) e A Coroação da Virgem (1490), expostas na Galeria Uffizi de Florença, Itália.




A Coroação da Virgem, de Sandro Botticelli, 1490. Galeria Uffizi, Florença, Itália.


Leonardo di ser Piero da Vinci (1452-1519) foi pintor, matemático, escultor, arquitecto e engenheiro do Renascimento italiano. É considerado um dos maiores gênios da história da Humanidade.


O que torna o trabalho de Leonardo único são as suas inovadoras técnicas que expressou nas suas pinturas, o seu detalhado conhecimento anatómico, o detalhe físico da natureza, expresso na representação de plantas, o seu interesse na fisionomia e os seus minuciosos registos da emotividade e da expressividade humana.




Mona Lisa ou La Gioconda, obra prima de Leonardo da Vinci, 1503-1506. Museu do Louvre, França.

Ele participou em autópsias e produziu muitos desenhos anatômicos extremamente detalhados e planejou um trabalho inclusive com humanos. Por volta do ano 1490, ele produziu um estudo das proporções humanas baseado no tratado recém-redescoberto do arquiteto romano Vitruvius, dando origem ao famoso Homem Vitruviano, uma figura masculina desnuda separadamente e simultaneamente em duas posições sobrepostas com os braços inscritos num círculo e num quadrado. Acabou se tornando um dos seus trabalhos mais famosos e um símbolo do espírito renascentista.


O Homem Vitruviano, de da Vinci. 1490. Lápis e tinta sobre papel. Galeria da Academia, Veneza, Itália.

Grande inventor de sua época, Leonardo da Vinci em vários campos de estudo deu origem a invenções como: salva-vidas, pára-quedas, bicicleta, helicopteros, entre outras.


Modelos de máquinas voadoras planejados por Leonardo, Museu Britanico, Londres.



Michelangelo (“Miguel Ângelo”) di Ludovico Buonarroti Simoni (1475- 1564) foi um pintor e escultor renascentista italiano.


Suas obras mais famosas, a escultura de David e a Pietá (Piedade), foram realizadas antes de seus trinta anos. Apesar de sua pouca afeição à pintura, criou duas obras históricas: as cenas do Gênesis, como a A Criação de Adão e o O Juízo Final, no teto da Capela Sistina.


A Criação de Adão de Michelangelo, 1511. Representa o episódio do Gênesis no qual Deus cria o primeiro homem: Adão. Capela Sistina, Vaticano, Itália.

David. Michelangelo retrata o herói bíblico com realismo anatômico. 1504. Academia de Belas Artes, Florença, Itália.


Pietá de Michelangelo representa Jesus morto nos braços da Virgem Maria. 1498. Basílica de São Pedro, Vaticano, Itália.



Rafael, em italiano Raffaello Sanzio, (1483-1520) foi um mestre da pintura e da arquitetura da escola de Florença durante o Renascimento italiano. Ficou conhecido pelas suas obras A Escola de Atenas, A Ressurreição de Cristo, A Sagrada Família e Transfiguração.

Escola de Atenas de Rafael, 1506-1510. Palacio Apostolico, Vaticano, Itália.


Transfiguração de Rafael, 1518-20. Museu do Vaticano, Itália.



Jan van Eyck (1390-1441) foi um pintor flamengo do século XV, irmão de Hubert van Eyck, influenciando em muito o Renascimento nórdico.


Foi um pintor caracterizado pelo naturalismo e realismo, imperando na sua obra meticulosos pormenores e vivas cores, além de uma extrema precisão nas texturas e na busca pela tridimensionalidade, ou seja, a perspectiva.


O Casal Arnolfini de van Eyck, 1434, caracterizado pelo naturalismo e realismo, representa a burguesia comerciante belga. Galeria Nacional de Londres, Inglaterra.



Theotokópoulos (em grego Δομήνικος Θεοτοκόπουλος), mais conhecido como el Greco – "O Grego” – (1541-1614) foi um pintor, escultor e arquiteto grego que desenvolveu a maior parte da sua carreira na Espanha, produzindo suas principais obras: A Santíssima Trindade, Vista de Toledo e A Ascensão da Virgem.


A Santíssima Trindade de El Greco, 1579. Museu do Prado, Madrid, Espanha.



Albrecht Dürer (1471-1528) foi um gravador, pintor e ilustrador alemão, sendo o grande espírito humanista do Renascimento alemão.

Adão e Eva, gravura de Dürer, 1507. Museu Nacional do Prado, Madrid, Espanha.




Literatura Renascentista

A literatura do Renascimento deu destaque à personalidade individual. Novas formas, como os ensaios e as biografias, tornaram-se importantes. A maior parte da literatura medieval fora escrita em Latim. Os escritores do Renascimento começaram a adotar línguas vernáculas, isto é, de sues próprios países de origem, como o italiano, o alemão e o português. A literatura renascentista também foi marcada por uma forte crítica social nas obras literárias e no sentimento anticlerical, isto é, muitas obras criticava a Igreja católica.


O campo literário foi decisivamente favorecido pela invenção da impressão por Johann Gutenberg, em 1450, sendo importante para a propagação das obras clássicas e das obras renascentistas e dos ideais humanistas do Renascimento literário.


No campo literário, o Renascimento encontrou sua expressão máxima nas obras de homens como o italiano Dante Alighiere com sua obra A Divina Comédia e La Vita nuova (A Vida nova), coleção de poemas; o italiano Francesco Petrarca (De África); Boccaccio (Decameron); Marsílio Ficino (Opera Omnia); Pietro Aretino (Sonnetti Lussuriosi); François Rabelais (Gargantua e Pantagruel); Thomas Morus (Utopia); William Shakespeare (Romeu e Julieta, Hamlet, etc.); Miguel de Cervantes (Dom Quixote) e Luís Vaz de Camões (Os Lusíadas).


Marsílio Ficino (1433 – 1499) foi um dos principais escritores da renascença européia. Um dos fundadores do neoplatonismo renascentista, Ficino discute questões pertinentes ao afeto que une os seres humanos: o “amor”.




Texto e Contexto

“Platão chama ao amor uma coisa amarga, e com toda a justiça, porque aquele que ama, morre. Orfeu o chama agridoce, porque o amor é uma morte voluntária. Como morte, é amarga; como voluntária que é doce. Todo aquele que ama, morre. Pois seu pensamento, esquecido de si mesmo, certamente não pensa em si. Uma alma como esta, afetada assim, não atua nela mesma, porque a principal operação da alma é precisamente o pensamento.
Há duas espécies de amor: amor simples e amor recíproco ou mútuo. Há amor simples quando o amado não ama o amante. Em tal caso, o amante está totalmente morto. Pois não vive em si – como já o demonstramos – nem tampouco no amado, pois é rechaçado por ele. Onde vive então? Acaso no ar, na água, no fogo, na terra ou em qualquer corpo animal? De forma alguma. A alma humana não vive em outro corpo que não seja humano. Ou viverá por acaso no corpo de outro homem a quem não ama? Nem isto. Pois se não vive naquele o qual deseja ardentissimamente viver, como poderá viver em outro? Quem ama a outro e não é amado por ele, não vive em nenhuma parte. Está, portanto, totalmente morto o amante não amado. Nem voltará a viver, a menos que a indignação o ressuscite. Mas quando o amado responde com amor, então o amante vive ao menos nele. Algo certamente maravilhoso se produz aqui!”
(FICINO, Marsílio. “Opera Omnia”. In: Marques, Adhemar Martins; Berutti, Flávio Costa e Faria, Ricardo de Moura. História Moderna através de textos. Editora Contexto, 1989. p. 95 – 6.)




Pietro Aretino (1492 – 1556) era originário de família humilde, tornou-se um cortesão, vivendo principalmente em Veneza Crítico violento dos costumes da época, tornou-se conhecido por seus escritos pornográficos, sobretudo os Sonnetti Lussuriosi (Sonetos Luxuriosos; 1525).


O Amor é pornográfico, mundano. Ele produz a maior ruptura daquele amor divino medieval. Pietro Aretino foi o mais famoso dos autores pornográficos do Renascimento. Essa pornografia foi influenciada pela Antigüidade que abrangia escritos como os contos luxuriosos de Ovídio, Luciano e Petrônio. Nos Sonnetti Lussuriosi de Aretino estão associados firmemente o voyerismo e imaginário pornográfico.




Texto e Contexto


Sonnetti Lussuriosi (Sonetos Luxuriosos )
XI


Abra suas coxas, assim posso ver diretamente
Sua bela bunda diante de mim,
Uma bunda igual ao paraíso em prazer,
que derrete corações.

Enquanto comparo essas coisas,
De repente, quero beijá-la,
E pareço-me mais belo que Narciso.



François Rabelais (1494–1553) é um autor que revela uma forte crítica aos homens da Igreja. Sua obra Gargantua e Pantagruel, escrita no século XVI, demonstra um forte sentimento anticlerical.


Texto e Contexto

“A ilha era habitada por pássaros grandes, belos e polidos, em tudo semelhantes aos homens da minha pátria, bebendo e comendo como homens (...). Os machos se chamavam clerigaus, monagaus, padregaus, abadegaus, bispogaus, cardealgaus e papagau – este era o único da sua espécie (...). perguntamos por que havia só um papagau. Responderam-nos que ... dos clerigaus nascem os padregaus... dos padregaus nascem os bispogaus, destes os belos cardealgaus, e os cardealgaus, se antes não os leva a morte, acabam em papagaus, de que ordinariamente não há mais que um, como no mundo existe apenas um Sol (...). Mas donde nascem os clerigaus? (...). Vêm dum outro mundo, em parte de uma região maravilhosamente grande, que se chama Dias-sem-pão, em parte doutra região Gente-demasiada (...). A coisa passa-se assim: quando alguma família desta última região, há excesso de filhos, corre-se o risco de a herança desaparecer, se for dividida por todos; por isso, os pais vêm descarregar nesta ilha Corcundal os filhos a mais (...). Dizemos “Corcundal” porque esses que para aqui trazem são em geral corcundas, zarolhos... pesos inúteis na terra. (...) Maior número ainda vem de Dias-sem-pão, pois os habitantes dessa região encontram-se em perigo de morrer de fome (...) então voam para aqui, tomam aqui este modo de vida, e subitamente engordam e ficam em perfeita segurança e liberdade.”
(RABELAIS, François. Gargantua e Pantagruel. In: MARQUES, Adhemar et al. História Moderna através de textos. s/l: Editora Contexto, s/d. pp. 94-95.)



Luís Vaz de Camões (1524–1580) é frequentemente considerado como o maior poeta de língua portuguesa e dos maiores da Humanidade. Das suas obras, o poema épico intitulado Os Lusíadas é a mais significativa. A epopeia, escrita em língua vernácula, narra a história de Vasco da Gama e dos heróis portugueses que navegaram em torno do Cabo da Boa Esperança e abriram uma nova rota para a Índia. É uma epopéia humanista, mesmo nas suas contradições, na associação da mitologia pagã greco-romana à visão cristã, no gosto do repouso e no desejo de aventura, na apreciação do prazer e nas exigências de uma visão heróica.




Texto e Contexto



“As armas e os Barões assinalados / Que, da Ocidental praia Lusitana, / Por mares nunca d’antes navegados / Passaram ainda além da Taprobana [ilha do Índico] / Em perigos e guerras esforçados, / Mais do que prometia a força humana, / E entre gente remota edificaram / Novo Reino, que tanto sublimaram...”
“Cessem do sábio Grego e do Troiano / As navegações grandes que fizeram; / Cale-se de Alexandro e de Trajano / A fama das vitórias que tiveram; / Que eu canto o peito ilustre Lusitano, / A quem Netuno e Marte obedeceram. / Cesse tudo o que a Musa antiga canta, / Que outro valor mais alto se alevanta.”
(CAMÕES, Luís Vaz de. Os Lusíadas. Lisboa: Imprensa Nacional, 1931.)




Renascimento científico


No campo científico, impulsionou-se o estudo do homem e da natureza. O espírito crítico do homem partiu para a ciência experimental, a observação, a fim de obter explicações racionais para os fenômenos da natureza. O Renascimento retirou da Igreja o monopólio das explicações do mundo.


Nicolau Copérnico (1473-1543) foi um astrónomo e matemático polaco que desenvolveu a teoria heliocêntrica, que colocou o Sol como o centro do Sistema Solar, contrariando a então vigente teoria geocêntrica (que considerava a Terra como o centro). Esta é uma das mais importantes hipóteses científicas de todos os tempos, constituindo o início da astronomia e cosmologia moderna.

Em A Revolução Orbital Celeste, Copérnico refuta o geocentrismo, defendido pelo teocentrismo cristão na Idade Média, formulando a teoria heliocêntrica, que foi completada no século XVII pelo físico, matemático, astrónomo e filósofo italiano renascentista Galileu Galilei (1564-1642).



Texto e Contexto

Postulados


1. Não existe nenhum centro de gravidade de todos os círculos ou esferas celestes.
2. O centro da terra não é o centro do universo, mas tão somente da gravidade e da esfera lunar.
3. Todas as esferas giram ao redor do sol como de seu ponto médio, e, portanto, o sol é o centro do universo.
(COPÉRNICO, Nicolau. In: MARQUES, Adhemar et al. História Moderna através de textos. s/l: Editora Contexto, s/d. p. 98.)




Texto Complementar


Pergunta: De que forma o conhecimento da cultura renascentista pode auxiliar no entendimento do presente?
Nicolau Sevcenko: A história da cultura renascentista nos ilustra com clareza todo o processo de construção cultural do homem moderno e da sociedade contemporânea. Nele se manifestam, já muito dinâmicos e predominantes, os germes do individualismo, do racionalismo e da ambição ilimitada, típicos de comportamentos mais imperativos e representativos do nosso tempo. Ela consagra a vitória da razão abstrata, que é a instância suprema de toda a cultura moderna, versada no rigor das matemáticas que passarão a reger os sistemas de controle do tempo, do espaço, do trabalho e do domínio da natureza. Será essa mesma razão abstrata que estará presente tanto na elaboração da imagem naturalista pela qual é representado o real, quanto na formação das línguas modernas e na própria constituição da chamada identidade nacional. Ela é a nova versão do poder dominante e será consubstanciada no Estado Moderno, entidade racionalizadora (...) que extinguirá a multiplicidade do real, impondo um padrão único, monolítico e intransigente para o enquadramento de toda a sociedade e cultura. Isso, contraditoriamente, fará brotar um anseio de liberdade e autonomia de espírito, certamente o mais belo legado do Renascimento à atualidade.
(SEVCENCO, Nicolau. O Renascimento. 5ª Ed. São Paulo: Atual, 1987. pp. 02-04.)



Renascimento e a Antiguidade


O Renascimento italiano, portanto, tomou perante a Antiguidade duas atitudes diferentes – conforme as épocas, os lugares e os temperamentos dos artistas. Uma primeira atitude constituiu em ir buscar à Antiguidade ornamentos, uma decoração. Fez triunfar o nu na pintura e na escultura. Rompendo com a tradição medieval, procurou reencontrar as mais harmoniosas proporções do corpo humano e redescobrir a alma da arquitetura antiga, estudando Vitrúvio, medindo os monumentos de Roma, dando às novas construções o ritmo musical recomendado por Platão.
(DELUMEAU, Jean. Renascimento e Antiguidade. In: A Civilização do Renascimento. Vol. I. Lisboa: Editorial Estampa, 1984. p. 106.)




Humanismo

O movimento mais característico do Renascimento foi o humanismo (...). A atitude humanista para com a Antiguidade diferia da dos eruditos da Idade Média. Enquanto estes buscavam adaptar o conhecimento clássico a uma concepção cristã do mundo, os humanistas do Renascimento valorizavam a literatura antiga por ela própria – por seu estilo claro e elegante, pela sua percepção da natureza humana. Com os clássicos da Antiguidade, os humanistas esperavam aprender o muito que não lhes ensinavam os escritos medievais (...). Para os humanistas, eram os clássicos um guia para a felicidade e para a vida ativa. Para se tornarem cultos, para aprenderem a arte de escrever, do falar e do viver, era necessário conhecer os clássicos. Ao contrário dos filósofos escolásticos, que usavam a filosofia grega para provar a verdade das doutrinas cristãs, os humanistas italianos usavam o conhecimento clássico para alimentar o seu novo interesse pela vida terrena.
(PERRY, Marvin. Civilização ocidental – uma história concisa. São Paulo: Martins Fontes, 1981. p. 271.)

9 comentários:

  1. obrigado isto me ajudou muito
    essa area de trebalho e pesquisa e muito legal

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    1. Boa noite!!!fico feliz em saber, que ajudei voces, com minhas postagens,um bom domingo,vou postar, o que ficou faltando,haja vista termino de preparar o TCC,aí aivia mais,abraços.

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  2. não tens nada sobre a Cultura greco-romana?

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  3. foi tudo que eu precisei na minha pesquisa , pois pesquisei ou sites mais nao era o que eu queria ...
    entaoo minha nota é 1000000
    obs:gabriela

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  4. nao tem a economia, a politica e nem a cultura renascista aqui!!!!!!!!!!!

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  5. Galera alguem pode me falar aonde acho sobre as
    TRANSFORMAÇÕES OCORRIDAS NA EUROPA APÓS O DESENVOLVIMENTO DAS IDEIAS RESCENTES

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  6. Obrigado!
    Isso vai me ajudar e muito.Pois foi tudo que minha professora me Pediu!
    Obrigado!

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  7. além de historia vcs tem algo sobre teologia??

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  8. Seu texto está tão maravilhoso que eu não posso deixar passar este seu pequeno lapso: a abreviatura da palavra "professor" é Prof., sem necessidade da letra "o", porque não existe "professoro", só professora. Obrigada pela contribuição; ajudou-me muito nos meus estudos literários :)

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